E eu tão só nesta esperança adiada Eu tão só nesta berma de estrada Eu tão só Eu tão só
Tony de Matos
1924 >> 1989
Tia Dolores Letra de Linhares Barbosa - - - Vi hoje a Tia Dolores Veio falar-me dos filhos Cheia dum prazer profundo Porque esses seus dois amores São os únicos atilhos Que a trazem segura ao mundo
Letra de Jorge Rosa - - - Ai fado, fado, fadinho Que p’lo caminho a fadistagem Transformava com carinho Dentro da sua bagagem
VASCO RAFAEL
1949 >< 1998
Sombra de ninguém Letra de João Alberto - - - Chamaram-me sombra negra Os judas que o disseram
Andam a beijar meu rosto Por não ter seguido a regra Das coisas que me impuseram
Dão-me veneno e desgosto
FRANCISCO MARTINHO
1939 >< 1992
Lisboa mulher Letra de Júlio Isidro - - - Lisboa faz amor só por amor Lisboa tem desejos de mulher Lisboa tens o cheiro, tens a cor Lisboa tens tudo que eu quero ter
DEOLINDA RODRIGUES
1924 >< 2025
Se eu morresse de saudade Letra de Carlos Escobar - - - Se eu morresse de saudade Nas ruas desta cidade O meu amor era fado E um amor acorrentado Não é amor, é maldade
Rua do fado É toda aquela onde mora Uma voz triste que chora Cantando o que a alma sente E onde existe Uma guitarra trinando Ternamente acompanhando Essa tristeza da gente
Venham ver as carvoeiras Venham ver os olhos delas Que maneiras têm de olhar Ai venham ver Dois carvões numa braseira Que puseram à janela Para o vento os atear
Estrada da vida Ó estrada do meu destino Onde, feito peregrino Meu coração se perdeu Estrada da vida Feita de dor e d’esperança Quem a subiu não se cansa Que o diga quem a desceu
Uma mulher É como uma guitarra Não é qualquer Que a abraça e faz vibrar Mas quem souber O modo como a agarra Prende-lhe a alma Nas mãos que a sabem tocar
A vida passa tão breve Tão vertiginosa e leve Deixando apenas saudade Eu sinto um grande desgosto De já ter rugas no rosto Da perdida mocidade
JÚLIO PERES
1909 >< 1995
Alfama Letra de Conde Sobral - - - Alfama, bairro velhinho Monumento de saudade Sacrário de tradições Tens um lugar de carinho E de sincera amizade Nas minhas recordações
Se é curta a vida e mal vivida P'ra quê fugir ao que há-de vir Um dia a suceder A vida é bela, fazei por ela Que o mal só vem Quando ele tem de acontecer
Ler no meu céu do meu país Que conquistei o teu amor E o meu direito a ser feliz Eu quero dar À nossa vida, a dimensão Dum sorriso de criança Dum discurso de Platão
Nosso fado foi desgosto Sol já posto em tom vermelho Somos corpos sem ter rosto Lado oposto doutro espelho Caem folhas p'la cidade São poentes outonais Como é lívida a saudade Meu amor, não chores mais
ALICE MARIA
1932 >< 2017
Cansaço Letra de Luís de Macedo - - - Tudo o que faço ou não faço Outros fizeram assim Daí este meu cansaço De sentir que quanto faço Não é feito só por mim
Ser peregrino É ser um poeta ao vento Com asas no pensamento Que voam a toda a hora Ser peregrino É ter Deus por companheiro Que dá força ao caminheiro E o leva à Nossa Senhora